Nem sempre assim….

28 maio, 2008

Elocubrações Mentais: Certezas…

Filed under: loucuras — Pedro Jacarte @ 4:29 pm

Uma vez me perguntaram se eu tinha alguma certeza na minha vida.

Tenho. Tenho várias certezas. Tenho que ter. São elas que marcam meus objetivos, minha moral, meus costumes, meu jeito de viver e quem eu sou.

Mas a única verdadeira certeza, aquela que faço questão de manter como exceção à minha própria regra sobre elas, é que as minhas certezas não são imutáveis.

Todas as minhas certezas (ou quase todas) são sempre colocadas em dúvida. Sempre testadas para serem destruídas ou reafirmadas.

Elas devem ser duvidadas e testadas. Constantemente.

Acho que acabaria tornando a convivência com as outras pessoas muito complicada se considerasse minha visão sempre certa.

Duvide-se. Arrisque-se. Melhore-se.

Bjos e abraços devidamente distribuídos! Saudades daqui….

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29 abril, 2008

Santuário

Filed under: Contos — Pedro Jacarte @ 11:22 am

Há três anos ele seguia o mesmo ritual. Seu Adamastor, como era conhecido no bairro, acordava às 05:30 da manhã para se arrumar. Tomava seu banho matinal, penteava seus cabelos com muito cuidado, escovava os dentes e se vestia cuidadosamente sobre a cama. Não poderia mais cair ou sofrer o menor acidente possível. Se dirigia então à cozinha. Um pão com manteiga e um café com leite. Todos os dias a mesma coisa. Obviamente que era tudo sempre entregue na porta de sua casa. Adamastor não saía mais dela.

Às 07:15 em ponto, nem um minuto a mais e nem outro a menos, Adamastor se dirigia ao quarto reservado. Ao seu Santuário, como ele dizia para si mesmo. Lá, ajoelhava-se e rezava. Pedia à Deus que o levasse embora. Que acabasse com o sofrimento de viver sem sua esposa tão amada. A esposa que havia dedicado toda sua vida a ele. Foram 63 anos de casado, que Adamastor não deu o valor que merecia. Não quando ela estava viva. Suas escapadas durante o casamento agora o perseguiam em sua mente. Seu arrependimento das discussões lhe tiravam o sono. Mas ela precisou ir para ele perceber isso.

Quem iria cuidar dele? Quem iria lhe abraçar durante a noite? Nem o jantar ele sabia fazer. Adamastor se aposentou de vez. Pedido antigo de sua esposa. Parou de sair de casa e passou a encomendar suas necessidades do mercadinho mais próximo. Desapareceu da vizinhança. Ligava às vezes para um amigo ou outro para que estes não lhe incomodassem com uma visita. Nenhum filho o visitava. Eles não tiveram. Culpa de Adamastor, estéril. Agora, tudo, para Adamastor, foi culpa dele, que se esquecera dos votos que fizera assim que saira da igreja. Era hora de buscar o perdão.

E assim ele o fazia. Todos os dias. Às 07:15 da manhã. Buscava o perdão com uma reza. Acendia uma vela e 12 incensos. O número de incensos foi crescendo com o tempo. E Adamastor, que unca havia acendido um, acabou não se incomodando mais com o cheiro. Já estava acostumado depois de tanto tempo. Olhava uma última vez para as fotos de sua esposa ao redor do quarto e chorava silenciosamente. Caminhava o curto trajeto e beijava sua face pálida, gélida. Seu rosto ora belo, hoje apodrecia lentamente. Mas Adamastor não se importava. Beijava ainda assim. Pois ninguém tiraria seu amor de perto dele. Saía do quarto e ia assistir sua televisão. Esperando sua morte e a chance de reencontrar sua amada esposa.

28 abril, 2008

Confissões do Mestre Yoda

Filed under: curiosidades,Piadas Amoxi — Pedro Jacarte @ 3:48 pm

Vontade de os pêlos de minhas orelhas cortar eu sempre tive.

Poesia I

Filed under: poesias — Pedro Jacarte @ 3:39 pm

É preciso muita coragem para
algo que dura tão pouco.
É um nervoso, uma aflição que
precede tamanha façanha.

O peito, destemido, se enche
de ar achando que pode algo.
Engana até mesmo as pernas,
já bambas de tanto tremer.

O olhar, inquieto e indeciso,
reconsidera mais uma vez.
Do nada, frente todas as dúvidas,
fez-se o que se havia de fazer,

As palavras, já proferidas,
não mais me pertencem.
Nem o pensamento, ora guardado,
é mais meu. É fato. Foi feito.

Por mais que tente me enganar,
fazendo pirraça, trucando minha
própria mente e fingindo, mesmo
por um segundo, não ligar…

tudo se desfaz. Tudo se esquece.
Quando, do mesmo temor que agora
enfrentei, escuto, de volta:
eu também te amo.

(é meu mesmo….brega, como essas coisas tem q ser)

15 abril, 2008

A velha a fiar

Filed under: Contos — Pedro Jacarte @ 1:48 pm

Na sala da casa já muito antiga da zona rural de Pernambuco, a velha se preparava como fazia todos os dias. Arrumava seu cabelo em um coque e enrolava o novelo. Sozinha, na sala escura iluminada por uma pequena vela e acompanhada por sua caneca de água, sentava-se em frente à roda da qual gostava de passar todas as noites, a fiar. Nessa noite, no entanto, seria um pouco diferente.

Tudo começou com a presença de uma pequena mosca que entrou pela janela que dava para o pasto. Ela foi direto no nariz da velha, importunando-a. Despercebidamente, a velha apenas a expulsou e continuou a fiar. A mosca, repousada no chão perto da velha, acabou por experenciar o seu próprio remédio logo em seguida, quando uma imensa aranha desce de sua teia do teto e a ataca. A mosca prontamente se refugiou na velha, que a afastou com um tapa e que, por sua vez, continuou a fiar.

A aranha, desolada por ter deixado escapar sua presa, nem percebeu quando um rato branco saiu de sua toca para atacá-la. A aranha, mais esperta que o rato, por pouco escapa e acaba encontrando seu antigo jantar, que foge mais uma vez para de novo encontrar a velha, que já estava irritada com a mosca que sempre a atrapalhava. A velha, no entanto, continuou a fiar.

Mal sabia o rato que o gato, seu eterno rival na fazenda da velha, estava a sua espera. O gato salta por cima do rato, que foge desesperadamente e que acaba por de novo tentar abocanhar a aranha que pula para cima da mosca que voa para o braço da velha que o sacode violentamente para tirar a inoportuna mosca e, assim, continuar a fiar. Mas numa fazenda, os bichos sempre têm que tomar cuidado….pois o mais antigo vira-lata não ia deixar barato, nem com o peso de seus 12 anos de companhia prestados a velha. E o gato, que até então se achava o “maioral”, se viu perseguido pelo cachorro e voltou a perserguir o rato. Este tentou mais uma vez comer a aranha que avançou na mosca que voou sobre a velha, atazanando-a. Pequenos animais são comuns nesses lugares. E a velha, simplesmente, continuou a fiar.

Cada um no seu canto…todos quietos. A mosca, a aranha, o rato, o gato, o cachorro…e a velha a fiar. A sala, contudo, não deixaria tuda em paz e na mais perfeita (des)ordem. Se os animais não mais se manifestariam, espíritos demoníacos decidiram intervir. Um pedação de madeira voou em direção ao cachorro, que descontou no gato, que provocou o rato, que atacou a aranha, que quase pegou a mosca que importunou a velha, que permaneceu a fiar.

Mas tinha mais de uma entidade no local, pois da vela saiu uma bola de fogo que foi atacar o pau que tinha optado por ficar quieto em seu lugar, desencadeando uma sequência de ataques que mais uma vez levou a mosca à velha. Esta, impressionantemente alheia a todo o rebuliço ao seu redor, apenas regojizou-se da melhora da iluminação para continuar a fiar. No entanto, a nova iluminação sofreu perturbações quando a água da caneca de metal se multiplicou sozinha e foi ao seu encontro. Os ataques mútuos continuavam, ninguém queria sair perdendo nessa guerra. Só a velha…que a continuava a fiar.

A essa altura, essa história parecia não ter fim. Um boi entrou na sala buscando beber da água que se multiplicou. A seca há muito estava acabando com o interior, e o boi não iria deixar a possibilidade de saciar sua sede ir embora. A água, no entanto, decidiu voltar a atacar o fogo, que atacou o pau, que tentou bater no cahorro, que avançou no gato, que pulou em cima do rato, que tentou prender a aranha, que avançou na mosca que zuniu pela velha. E a velha? Ah…essa CONTINUAVA A FIAR!

O rebuliço finalmente chamou a atenção do resto da família. O filho da velha foi ao seu socorro pegar o boi, que já tinha desistido da água. Mas o animal quando viu que a ia perder para sempre, tentou dar mais um gole…mas á agua não ia se perder sem antes tentar apagar o fogo e todo o processo re-continuava. Tudo acontecendo e a velha , aparentemente surda, muda e cega, continuava a fiar.

A esposa dele foi tentar ajudá-lo, berrando mais do que podia e irritando o homem que tentava resolver a situação com o boi….e…e…e…. Por fim, a nora da velha morreu ao seu lado. Ato da própria Morte. Pela primeira vez a velha olha para os lados. Em sua sala antes tranquila, estavam uma mosca, uma aranha, um rato, um gato, um cachorro, um pau flutuante, uma bola de fogo, uma bola de água, um boi, seu filho e sua nora morta no chão (além da companhia da morte). Desesperada e sem saber como proceder, a velha sentou-se….e continuou a fiar….

9 abril, 2008

Relatos de um Ansioso: A carta

Filed under: Comentários,irritações,loucuras — Pedro Jacarte @ 6:17 pm

Outro dia estava eu a checar o computador para ver se tinha novos e-mails, o celular para novas mensagens e a secretária eletrônica para novos recados quando toca o telefone. Odeio quando o número é não identificável! Tenho que esperar até depois do alô para saber quem me liga. Isso deveria ser proibido! Mas enfim, era minha prima ligando do trabalho:
– Pedro, querido, te mandei uma carta, tá? Me avisa quando chegar?!?
– Mas sobre o que se trata?
– Ah…você vai ver!!! Acho que vai gostar….
Quem liga para avisar que mandou uma carta? Parece que ela não me conhece! E por que logo uma carta?? Hoje com toda a evolução dos computadores, custava mandar um e-mail que era mais rápido? Pelo menos eu lia na hora! Não aguento o suspense de esperar mais de 10 minutos antes de checar minha caixa de entrada em cada um dos 3 e-mails que eu tenho…imagina esperar dois dias por uma carta? Uma carta que eu sei que vai vir. Se eu não soubesse, seria uma surpresa….mas avisar que ela vem por telefone e nem adiantar o conteúdo é uma tortura! É querer me ver sofrer!

Além de tudo, ela acha que eu vou gostar! E se for uma notícia ruim só para mim mas boa para ela? Tipo, a Petrobrás vai falir! Ela vendeu as ações e eu não. Ela ficou feliz, eu não. Mas não, não tenho ações na Petrobrás. Nem nela e nem em nenhuma outra empresa na bolsa. Não mais, pelo menos. Não aguentava o suspense do sobe e desce, arranquei todo o meu dinheiro e depositei tudo na poupança. Mais seguro. Mas esse não é ponto principal.

Voltemos a carta. Uma carta virá a mim.  O conteúdo? Não sei. Sabe…eu não sei! E eu preciso saber! Será que eu posso subornar o governo para fazer chegar antes? Será que minha prima diria para mim o conteúdo estando sob tortura? E SERÁ QUE OS CORREIOS AINDA ESTÃO EM GREVE E VAI DEMORAR UMA ETERNIDADE!?! Se eu ainda tivesse unhas…certeza que hoje elas teriam ido embora de vez. Mas já foram…junto com as minhas ações. Droga.

7 abril, 2008

Se os objetos falassem…

Filed under: Nárnia — Pedro Jacarte @ 2:00 pm

d.skfjbhadlkufhsdu…ufa! eu só gostaria de pedir que…hguidskjhgfgaiuyhfg! Para!!! saide cima de…cdskufhseiufkfj. Vai ficar com esse sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce? Mas que inferno!Fica aí em cima um pouco que você vai ter que me escutar! Você acha que é fácil ter que todo dia ficar ou beijando lábios ou carregando sacos?!? Não é! Simplesmente não é! E molha…claro que molha! Vocês não param quietos! É um sobe e desce constante! zemhgzjhf….EU NÃO ACABEI DE FALAR! Obrigado por subir novamente…enfim, eu sofro! Isso quando a Jussara não decide participar da brincadeira! 135 Kg em uma mulher de 1,55 metros de altura é um pouco de mais! Não há quem aguente! Eu até tento fugir mas não consigo! Simplesmente estou preso! Torço todo dia para ela me cobrir antes…mas ela nunca traz nada! E ela vai em cima com tudo! Saio todo dolorido no final do dia! E ela sua muito….MUITO!!! Por favor!!!! Me ajuda???

(relato obtido por mim pelo selim da bike de spinning da academia. O nome Jussara foi alterado para não prejudicar a pessoa real.)

1 abril, 2008

Despedida….

Filed under: Piadas Amoxi — Pedro Jacarte @ 11:00 pm

Caros….decidi parar de escrever. Já que ninguém faz muita questão de ler meus textos, decidi apenas armazená-los no meu computador. Foi divertido. Bjos e Abraços!

Caixa de Música

Filed under: Contos — Pedro Jacarte @ 9:58 pm

Ela a abriu mais uma vez. Maria ficava hipnotisada cada vez que olhava para aquela bailarina, rodopiando apoiada em uma perna, com a outra esticada para o alto. O coque, ainda intacto, lhe dava a impressão elegante de outrora, apesar do vestido já rasgado e amarelo do tempo confessar sua real idade. A música que saía, ora sua preferida, agora a irritava. Mas não podia tirá-la de perto. A pequena caixinha de música, de madeira escura, toda detalhada em ouro, tinha que ficar ao seu lado. Deitada na cama, ainda de camisola, Maria a esperava.

Havia tempos que as duas não se falavam. Cinco anos para ser mais exato. Elas haviam discutido ferozmente naquele que seria o dia mais feliz de Sofia, seu casamento. Mas Maria nunca aprovou o genro escolhido por sua filha como esposo. Desde o primeiro momento que o conheceu, Maria não aceitava o namoro dos dois. Achava que Ageu ignorava Sofia. Que não serveria como marido, muito menos como futuro pai. Simplesmente não era digno.

Sofia, relutante, não aceitou. Estava cega pelas palavras enebriantes e carinhosas de Ageu. Comprou a briga da mãe e se casou. Talvez tenha inicialmente namorado com ele para enfrentar a mãe pela primeira vez. A mãe tão dominadora e protetora que um dia Sofia temeu. Não mais. Não agora. Ageu, sempre esperto, viu a oportunidade e se lançou a Sofia como se representasse seu grito de liberdade. E Sofia prontamente berrou.

Mas Ageu não era confiável. A promessa de um dia se transformou no pesadelo do outro. Era sempre um jeito de ganhar dinheiro fácil que quase os levava à falência. E Ageu não desistia de tentar. Nunca com seu dinheiro, obviamente, mas com o dinheiro que obtia por chantagem emocional com sua sogra. Sofia nunca saberia. Nunca perdoaria a mãe. Não se falariam mais. Mas Maria, preocupada com a filha e a neta ainda criança, sempre acabava dando dinheiro a Ageu. Até que um dia…parou. E decidiu confrontar a filha e o seu genro. Mas Ageu não permitiria.

Sofia eventualmente cedeu e atendeu aos pedidos da mãe. Mas Sofia cedeu tarde. Quando foi ao seu encontro, sua mãe já estava gelada sobre a cama. Obra de Ageu. Quando percebeu o inevitável, Maria só pediu a Ageu que colocasse a caixinha de música ao seu lado, aberta. Ageu atendeu sem saber que foi desta forma que há anos atrás Maria havia  encontrado sua própria mãe, morta por seu pai. Um grito desesperado para avisar sua filha. Sofia não entendeu. Viu sua mãe e chorou. Pegou a caixinha de música e guardou consigo.

Assim como a bailarina uma vez foi o conforto de Maria, ela também seria o de Sofia. Sofia ficou com a caixinha. Ageu, com a herança. 

27 março, 2008

Surto sobre a Ausência

Filed under: Surtos — Pedro Jacarte @ 4:48 am

Odeio perdê-la de novo.
Olho para um lado, olho para o outro…
E nada. Absolutamente nada.

Talvez até menos que isso.
Me sinto roubado. Afanado.
Ela estava logo ali. Do meu lado.
E num mísero espirro ela se foi.
Sumiu de minha vida por completo.
Por que sempre perco tudo?
Disso, acho que já falei. Não sei.
Não me lembro. Perdi a memória.
E o fio da meada. É meada que se fala?
Eu nem sei o que (ou quem) seria a meada.
Enfim…
Ela vindo ou não, me forcei. 
Decidi isso. E foi assim que isso saiu.
Mas não me culpem. Sou um mero coadjuvante dela.
Culpem ela! Que me traiu! Que me faltou!
Culpem a inspiração!

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